Passageiros da Agonia



Acorda no meio da noite,
o homem desesperado
com o choro intermitente,
do pequeno filho amado
que sem ter o que comer,
chora a fome na barriga,
vazia e inchada de dar dó.


No rosto da mulher amada,
naquele sertão perdido,
do resto do mundo esquecido,
nenhuma lágrima corre
pois, passado tanto tempo
de promessas não cumpridas,
secou junto com a esperança
de dignidade e fartura
daquele povo sofrido.


Sai o dia, cai a noite,
no sertão entristecido,
onde o povo reunido
reza por chuva abundante,
pra molhar a terra torrada
e fartar a mesa vazia,
acabando de vez com a fome,
dessa gente tão sofrida,
que pela vida passa,
sentindo na própria pele o que é ser,
um passageiro da agonia!...



Autoria: Simone Borba Pinheiro
Data:24/07/03

 

 


 

 

 


 

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