Boca Maldita


Eu me sustento nas palavras
De tua boca torta indecente
Sem saber que em tua mente
Mentiras dormem cansadas

E os dedos das mãos gatunas
Todos eles aleijados
Roubaram meu coração
Que se deixou ser levado.

Nas horas impróprias penso
Por que me permito o deleite
Dessa língua ensandecida
A passear por meu ventre.

Respostas desaforadas
Gritando obscenidades
É tudo o que obtenho 
Da mente que cala e consente

Às vezes sou fogo e sou gelo
Em total antagonismo
Sabeis dizer, boca maldita
Que maldição vive em mim?

Vou esperar em agonia
Que essa perna manca faceira
Percorra o mundo em pesquisa
Trazendo as respostas pra mim.

 

 

Autoria: Simone Borba Pinheiro
Data: 01 / 12 / 04