Atravessando o Deserto
Simone Borba Pinheiro

Caminho lentamente, as pernas pesam...
estou sem forças, suada, cansada,
boca seca, a pele arde, tudo dói em mim.
Os pés, já não os sinto,
vou seguindo, não posso parar,
a vida não para,
simplesmente muda o curso,
mas não percebo as curvas do caminho,
sigo reto, sempre em frente,
e nem sei para onde vou
ou se vou para algum lugar,
mas sei que tenho que continuar...
Do outro lado, além das montanhas de areia,
um oásis de ilusões, visões inebriantes,
sombra e água fresca, tendas de algodão,
que não consigo alcançar, por mais que tente.
De repente, chuva de areia em meus olhos...
um redemoinho desesperador,
um frio avassalador...e chega a noite!
Não consigo dormir, o frio é intenso,
meu corpo todo treme.
Fantasmas do deserto rondam minha mente
que, atrapalhada, já não discerne dia e noite.
E quando amanhece,
o sol intenso queima minha pele.
Ajeito os cabelos, cubro o rosto com o véu,
me ponho novamente em pé,
e sigo meu rumo, encarando minhas dores,
de peito aberto,
aguardando surgir a minha frente um real oásis,
em alguma curva do caminho,
atravessando o deserto.

2 de Outubro 2012