Andarilho



Vida bendita, às vezes maldita, por outras atrevida
Caminhos paralelos não se cruzam em nenhum segundo
Tempo escasso e sem espaço de ter você em meus braços
Vontade de mudar o instante ou revirar o mundo
Largando tudo para ser inconsequente ou talvez vagabundo
E seguir o caminho do sol em céu aberto, ao teu encontro


Cabelos desalinhados, soltos aos ombros e ao vento
Calça jeans desbotada e um relógio maneiro da hora
Teu corpo fino e esbelto pede passagem em meu pensamento
Detalhes da miragem de tua imagem em frente ao espelho
Tenho dúvidas se fostes embora ou se nunca chegastes
Minha certeza é não ter dúvidas de que ainda te amo


Vou seguir minha estrada...Mochila nas costas...
Pés descalços para idas em frente
Até mesmo porque atrás sempre vem gente 
Pena não ser a gente que a gente quer
Gente que fosse você, minha miragem de mulher


Andarilho sem fronteiras e rompendo barreiras
Vou assobiando John Lennon, de sul a norte 
Não sou hippie muito menos um dos Beatles
Sou apenas um jovem romântico, sem destino
A procura de um amor aventureiro, sem passaporte
Mas que teima em amar a miragem do espelho


Vida mundana sem Anas, nem Joanas...
Até onde perdido de amor, vou andar nesta estrada?...
São montanhas vencidas, muitas curvas e descidas
São faróis, luzes altas e buzinas em idas e vindas
Meus olhos te procuram em todos os espaços
No vazio eu não te acho, mas eu hei de te encontrar...

 
Nem que estejas refletida, no espelho de algum lago
E contigo em amor irei banhar-me, até mesmo se fores miragem
Pois tenho dúvidas, se fostes embora ou se nunca chegastes
Minha certeza é não ter dúvidas de que ainda te amo
E assim... somente assim terminarei minha viagem



Cândido Pinheiro
25 janeiro 2004
Santa Maria - RS - Brasil