Universo de Vidro


Não te tocarei, pois
tenho medo de quebrar sua face, 
de rachar seu pequeno corpo.
Seriam suas lágrimas de pedra,
se você chorasse?


Não sei de tudo, mas já
desvendei muitos mistérios.
Não sou como vocês:
"aéreos".


Há coisas que eu também não entendo.
Há pessoas que sei quem são
e convivem comigo, mas
não as conheço, 
não as compreendo.


É estranho o lugar onde vivo...
As paredes me cercam de forma tal
que não sei para onde ir
fico sem saber o que seguir:
O bem ou o mal.


Programam-me para aceitar,
digerir tudo o que a mídia
infiltra em minha mente.
Então revoltada, faço-me
voz perante os mudos, pois
sei que, quem cala consente.


Banalizaram tanto o amor
que creio ser a única alma nesse planeta
que sabe diferenciar afeto e carinho,
de sexo e ardor.


Sinto fome de romantismo
como o de antigamente,
onde o garoto cortejava sua amada,
tentando convencê-la
a ser sua para sempre


Cansei desse mundo!
Cansei de pessoas que sorriem perante mim
e apunhalam-me pelas costas, simples assim.


Cansei de olhar ao meu redor e ver
a fartura de poucos,
a fome de muitos
dinheiro roubado,
políticos sujos.


Sinceramente eu duvido
que consigamos um dia
desfazermo-nos desse
universo de vidro!



Autoria: Andréa Borba Pinheiro