Na Contramão 


Sou amiga dos inimigos,
De quem amo e quero perto,
De quem tento beijar e não consigo,
Inimiga de mim mesma.


Preciso de quem não precisa de mim,
Busco pessoas que não me buscam,
Falo o que não querem ouvir,
E ouço palavras que me machucam.


Corro parada no mesmo lugar,
Abro os olhos e vejo sem enxergar,
Faço carinho sem mesmo te tocar,
Tenho mil espinhos, cuidado ao encostar.


Rio de piadas sem graça,
E choro de tamanha felicidade fictícia,
Todo mundo reclama,
Mas eu acho a minha comida uma delícia.


Como pode ser assim?
Gosto de você, e você... não sabe nem que eu existo... quanto mais gostar de mim?

 


Autoria: Andréa Borba Pinheiro